Retícula
A função da retícula é transformar uma imagem original com variação tonal contínua em variação discreta (descontínua), tornando possível sua reprodução por qualquer processo de impressão. A imagem com variação tonal reticulada, ou seja, formada por pontos de retícula, é chamada de meio-tom.
Retícula convencional
São retículas comumente empregadas na indústria gráfica. Constituem-se de pontos de tamanho variável, mas equidistantes entre si. Tamanho esse que obedece a tonalidade a ser reproduzida do orginal, assim um ponto pode variar de 0,5% a 99,5%. Essa porcentagem é expressa em relação a área ocupada por um ponto, ou seja, um ponto de 10% ocupa 10% da área em que se encontra.
A reticulagem convencional produzida por tramas reticulares (gris) já foi quase completamente substituída por reticulagem digital na confecção de fotolitos ou matrizes. A reticulagem digital ocorria nos scanners mais antigos, mas atualmente é realizado com o Processador de Imagem de Retícula (RIP - Raster Image Processor), embutido em máquinas de confecção de fotolitos à laser (imagesetters) ou na produção direta das chapas (platesetters, CTP), sendo que essa última elimina o uso dos fotolitos.

Retícula estocástica ou de frequência modulada
A retícula digital estocástica foi lançada em 1993 com a tecnologia Cristal Raster (Agfa), Diamond Screening (Linotype-Hell) e Full Tone (Scitex). Nessa retícula não há um padrão aparente para o posicionamento dos pontos, não existe lineatura, inclinação e, portanto, também não há rosetas. A retícula estocástica de primeira ordem mantém constante o tamanho dos pontos e trabalha a variação tonal aumentando ou diminuindo sua frequência, ou seja a distância entre os pontos.
A disposição cuidadosa dos pontos permite uma riqueza de detalhes muito grande, aproximando-se mais da qualidade de um original tom contínuo. Normalmente os pontos estocásticos variam de 14 a 21 mícrons, o que equivale ao ponto tradicional de 1%. A imagem abaixo ilustra as diferenças na dimensão e posicionamento dos pontos.

A acima ilustra a diferença existente entre a restícula convencional (à esquerda) e a estocástica (à direita). Ambas as áreas estão com retícula de 25%. Adaptado de IPT.
O termo "estocástica" é o processo no qual variáveis randômicas são tratadas estatisticamente. No entanto, a suposta aleatoriedade dos pontos tem sua distribuição calculada com um algoritmo muito sofisticado que exige bastante capacidade de processamento de um computador. A distribuição espacial dos pontos é efetuada cuidadosamente por um software que posiciona-os de acordo com uma avaliação estatística dos tons e detalhes em cada área a ser reproduzida.
Avanços recentes nessa tecnologia permitiram a geração da retícula estocástica de segunda ordem (ou híbrida), que varia tanto a sua frequência como o tamanho dos pontos.
Vantagens:
- Não provoca moiré;
- Suavidade na variação tonal e detalhes mais finos nas reproduções;
- Maior qualidade em papéis macroporosos;
- Facilita a produção de filmes para trabalhos com mais de 4 cores (Pantone, metálicas, etc.);
- Disponível para RIP já existentes no mercado;
- CtP (Computer-to-Plate, refere-se ao processo que dispensa a produção de fotolitos);
Desvantagens:
- Os pontos devem ser finos e uniformes;
- Alguns sistemas de provas não conseguem reproduzir a reticula;
- Processo de cópia de chapa requer maior controle;
- Aparência granulada nas áreas neutras das imagens;
- Ganho de ponto elevado;
Suas principais aplicações são para impressos onde é difícil evitar o moiré, como por exemplo em tecidos e tramas ou imagens de alta qualidade, como catálogos de jóias e utensílios finos.
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