Corte
Para esse processo utiliza-se de elementos cortantes denominados facas, que nada mais são do que lâminas de aço endurecido que realizam o corte do suporte. As facas podem ser retas, como as utilizadas nas guilhotinas, ou assumir as mais variadas formas, como nas matrizes de corte e vinco, dependendo da necessidade e configuração do impresso.
O processo em máquinas de corte e vinco é realizado sobretudo no acabamento cartotécnico, por isso, o foco dessa seção será o corte realizado nas guilhotinas, conhecido como refile. Existem basicamente três tipos de refile: inicial; intermediário; e final.
O refile inicial é realizado no suporte em branco, antes do processo de impressão. É realizado para dimensionar o suporte para a alimentação da impressora, bem como para torná-lo regular (em esquadro), para evitar problemas na margeação do mesmo.
O refile intermediário é realizado durante o porcesso de produção, por exemplo quando o impresso sai do setor de impressão para a pós-impressão. Pode-se tratar de um refile simples ou uma separação de formatos para acabamentos como a dobra, encadernação ou grampeamento.
O refile final é realizado para se obter o formato final do impresso, após todos os anteriores.
Guilhotina linear
É o equipamento responsável pelo corte do suporte, para qualquer um dos três tipos de refiles destacados acima. A guilhotina linear é constituída basicamente de: mesas; balancim; faca; esquadros fixos e de transporte; conjunto de fotocélulas; dispositivo de programação (CNC).

Imagem de uma guilhotina linear com CNC. Adaptado de CNCMCS.
As mesas têm a função de apoiar o suporte que será cortado e permitir a movimentação do mesmo de modo a colocar, retirar, ou girar o material com facilidade. Para facilitar a movimentação do material, algumas mesas apresentam um sistema de sopro que cria um colchão de ar entre a pilha do suporte e a mesma, facilitando o deslize da pilha.
O balancim é um dispositivo que atua em conjunto com a faca, ao se acionar o corte, o balancim desce e prensa o material, que em seguida é cortado devido ao deslocamento da faca. Tem a função de prensar o material de forma a prevenir um corte irregular. Atualmente utiliza-se balancim com atuação hidráulica, que permite variar a pressão sobre o material de 300 a 4000kg. Essa regulagem de pressão deve ser efetuada de acordo com o suporte a ser cortado, a fim de proporcionar um corte mais preciso e evitar que as folhas sejam marcadas devido a ação do mesmo.
A faca é o elemento cortante que executa o corte. Trata-se de uma lâmina de aço com um chanfro longitudinal, que proporciona o fio de corte. O ângulo de afiação da faca também depende do material a ser cortado, em geral, quanto maior a dureza do material, maior o ângulo de afiação. Assim, define-se que para suporte sutil (macio), utiliza-se ângulos entre 16 e 20º; para suporte médio de 21 a 23º; e para suporte duro de 24 a 28º. Também podem ser utilizados fios de corte compostos (vários ângulos de afiação) para materiais menos comuns, como metálicos, cortiça e borracha.
A faca também possui uma inclinação (11 a 13º) enquanto parada na posição inicial, de forma que não efetua o corte em linha reta. Durante o movimento de descida a faca perde gradativamente essa angulação, num deslocamento que a torna novamente paralela a contrafaca ao término do corte. Essa inclinação é necessária para iniciar o corte em uma das extremidades do papel, de forma a segurá-lo e melhorar as características de corte.
Os esquadros fixos e de transporte são responsáveis, como o próprio nome diz, pelo esquadro do material. Uma guilhotina possui dois esquadros fixos nas suas laterais (direito e esquerdo), responsáveis por apoiar o suporte para o carregamento e corte. O esquadro de transporte, por outro lado, se movimenta para frente ou para trás, de modo a movimentar a pilha e definir as dimensões do corte. Atualmente a movimentação desse esquadro é controlada através de comandos numéricos inseridos na programação ou no teclado de entrada, embora seja possível controlá-lo por meio de um volante na parte frontal da máquina.
As fotocélulas são dispositivos de segurança que emitem raios luminosos, formando uma área de proteção anterior à zona de movimentação da faca de corte. Se essa área for invadida, o corte será imediatamente interrompido, ainda que já tenha sido iniciado.
O dispositivo de programação nada mais é do que um computador que permite a entrada dos comandos através de um teclado (ou cartão de memória específico), e que permite visualizar atravé de uma tela a sequência de operações e mensagens de erros.
Operação da guilhotina
As guilhotinas modernas possuem uma série de recursos que facilitam a sua operação, bem como a tornam mais segura e funcional. O primeiro a ser destacado é a mesa pneumática, que cria um colchão de ar entre a pilha e a superfície da mesa, facilitando o deslocamento do material. Há também a programação da sequência de corte através de CNC, que permite uma semi-automação do processo de corte.
No quesito segurança, além das fotocélulas, há o acionamento bimanual, que garante que o operador não está com as mãos na área de corte. Esse controle é realizado por dois botões na parte frontal da máquina, que devem ser acionados simultaneamente para que o corte seja efetuado. Quando apenas um dos botões é pressionado, comumente é acionado o balancim, sendo que esse também pode ser acionado por um pedal na parte inferior da máquina. O vídeo abaixo exibe uma guilhotina em funcionamento e suas principais partes.







