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Introdução à Densitometria e Colorimetria

Densitometria e Colorimetria são as disciplinas que estudam e avaliam as densidades e atributos das cores (respectivamente). Os controles densitométricos e colorimétricos nos processos gráficos visam obter peças gráficas uniformes e o mais próximo possível da arte gerada e aprovada pelo cliente. Existem diversas variáveis que influenciam nesses controles, incluindo a conversão de cores do sistema RGB para CMYK, insumos utilizados e controles de processos, como carga de tinta, tempos de exposição de matrizes e filmes, entre outros.

Cor e visão humana

As cores representam um importante estímulo ao ser humano. De acordo com a intensidade ou combinação de tons, pode-se estimular ou desestimular diversos comportamentos no ser humano. Assim, diversos pesquisadores, tanto na área da comunicação, quanto na área da psicologia realizam constantemente diversos estudos sobre as cores e sua influência nos mais diversos aspectos da vida cotidiana.

A cor é um fenômeno diretamente ligado à luz e as suas características de emissão e reflexão. O estudo da natureza da luz data de muito tempo atrás, principalmente com os estudos de Newton, por volta de 1704, que dividiu a luz solar nas suas componentes visíveis com o auxílio de um prisma, estabelecendo a ligação entre a tonalidade e o comprimento de onda. Posteriormente, outros célebres personagens, como Thomas Young, em 1802, e Helmholtz, em 1909, publicaram seus trabalhos que culminariam na teoria da tricromaticidade da percepção da luz. Assim, a cor percebida seria determinada por três tipos diferentes de receptores de luz no olho humano (HEYER, 2003).

Essa teoria, de que as cores são percebidas por receptores com três diferentes faixas de sensibilidade, só foi confirmada na década de 1960, por pesquisadores que utilizaram a espectrofotometria para demonstrar a presença dos pigmentos nas células da retina humana. No entanto, ainda no século 19 essa teoria parecia ser bem aceita e continuou a ser desenvolvida por estudiosos da época, com isso, esse modelo foi aperfeiçoado ao longo do tempo e contou com diversas contribuições.

A visão humana é, portanto, determinada por dois tipos de fotorreceptores na retina do olho humano: os bastonetes e os cones (Figura 1). São aproximadamente 125 milhões de bastonetes em cada retina, eles não desempenham funções muito importantes no reconhecimento de cores, sendo responsáveis por distinções de contraste em situações de baixa iluminação. Sua sensibilidade tem pico em torno de 500-510nm, aproximadamente no centro do espectro visível, possivelmente devido a maior parte da luz refletida se encontrar nessa região.

Imagem exibindo anatomia do olho e cones e bastonetesFigura 1. Estrutura anatômica do olho humano. Adaptado de: (FRASER, MURPHY e BUNTING, 2005, p. 17).

As contribuições continuaram com Hering, em 1878, e posteriormente Hurvich e Jameson, em 1957, por exemplo, adicionaram a esse modelo um segundo componente: a cor oposta (complementar). Esse estágio trata do processamento cromático do sinal recebido pelo fotorreceptor. A partir desse ponto de vista, a cor é determinada em maior grau pela extensão com que estimula as três classes de receptores, resultando em suas complementares. As duas teorias descritas acima têm sido empregadas para explicar como a visão humana lida com a luz (HEYER, 2003).

Já os cones possuem uma contagem de aproximadamente seis milhões em cada retina. Ainda há três tipos de cones, caracterizados por três tipos distintos de fotopigmentos, cada um com pico de sensibilidade em diferentes regiões do espectro. Atualmente, não se utiliza mais a taxonomia estabelecida por Young, na qual se atribuía as cores verde, vermelho e azul aos três tipos de cones. Agora os cones são identificados por sua faixa de absorção (diferença entre a luz emitida e luz refletida) a comprimentos de onda curtos, médios, e longos (Figura 2) (LOTTO, CLARKE, et al., 2010).

Gráfico com sensibilidade dos três tipos de conesFigura 2. Sensibilidade spectral dos receptores oculares humanos. Adaptado de (LOTTO, CLARKE, et al., 2010, p. 262).

A nova taxonomia se deve ao fato de que a luz em si não possui cor, tampouco necessariamente evoca as sensações do verde, azul e vermelho. Assim, sob a luz amarela pura, um objeto azul violeta (complementar do amarelo) aparecerá totalmente negro, pois absorverá totalmente a luz irradiada. Esse recurso é vastamente utilizado na indústria gráfica, em salas onde são processadas matrizes de impressão sensíveis à luz ultravioleta.

Luz, portanto, pode ser entendida como uma estreita faixa do espectro eletromagnético que é visível ao olho humano (espectro visível). Podemos ver um objeto apenas se ele refletir a luz emitida de alguma fonte em direção aos nossos olhos. A variação da tonalidade de uma luz é determinada pelo seu comprimento de onda, assim o menor comprimento visível é de 380nm (nanômetros), correspondente ao tom violeta, e o maior comprimento visível é o de 770nm, correspondente ao vermelho (SENAI-SP, 2002).

Espectro eletromagnético

O espectro visível corresponde a uma ínfima parte do espectro eletromagnético.

A tabela abaixo exibe uma correspondência entre os comprimentos de onda e seus respectivos tons.

Vermelho 770 a 630nm
Laranja 630 a 590nm
Amarelo 590 a 560nm
Verde 560 a 520nm
Ciano 520 a 480nm
Azul 480 a 440nm
Violeta 440 a 380nm

A cor é a sensação visual causada pela interpretação da luz no cérebro humano. Através de um complexo mecanismo de captação e interpretação, a luz é traduzida em estímulos eletroquímicos, que são processados pelo córtex visual. Sabe-se também que as cores influenciam o ser humano, podendo induzir reações fisiológicas, como convulsões quando o indivíduo se submete a luz estroboscópica; e também psicológicas, como alegria, exaltação, calor ou frio (FARINA, 2006).

Bibliografia

FARINA, M. Psicodinâmica das cores em comunicação. 5ª. ed. São Paulo: Edgard Blücher, 2006.
FRASER, B.; MURPHY, C.; BUNTING, F. Color Management. 2ª. ed. Berkeley: Peachpit Press, 2005.
HEYER, D. Colour perception: mind and the physical world. New York: Oxford University Press, 2003.
LOTTO, R. B. et al. Seeing in colour. Optics & Laser Technology, 2 Março 2010. 261-269.
SENAI-SP. Densitometria e Colorimetria. São Paulo: Senai São Paulo, 2002.



Densitometria e Colorimetria são as disciplinas que estudam e avaliam as densidades e atributos das cores (respectivamente). Os controles densitométricos e colorimétricos nos processos gráficos visam obter peças gráficas uniformes e o mais próximo possível da arte gerada e aprovada pelo cliente. Existem diversas variáveis que influenciam nesses controles, incluindo a conversão de cores do sistema RGB para CMYK, insumos utilizados e controles de processos, como carga de tinta, tempos de exposição de matrizes e filmes, entre outros.